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22.9.17

A Sagrada Catalunha



«A Guarda Civil espanhola anunciou, na passada quarta-feira, a detenção do principal colaborador do vice-presidente da Catalunha, Josep Maria Jové. Segundo a comunicação social espanhola, o executivo prendeu 12 membros do governo catalão por causa do referendo pela independência. Ena, Espanha voltou a ter presos políticos.

Queria aproveitar a mão pesada do governo de Rajoy para denunciar o Barcelona por ter emitido um comunicado onde "condena as acções da passada quarta-feira" e expressa o seu apoio ao referendo que considera ser o desejo da "maioria dos catalães". Há aqui posições claramente anticonstitucionais e até um cheiro a rebelião. Fazem favor de prender uns quantos jogadores titulares do Barça, de preferência, antes da próxima quarta-feira.

Posto isto, quando vi as imagens da polícia a entrar, à força, pela porta de uma casa e a prender políticos, pensei, maldita Venezuela. Este Maduro só a tiro. Depois é que percebi que era em Barcelona porque, apesar de tudo, havia mais turistas que polícias.

Faço aqui um aparte. Muitas vezes, na caixa de comentários desta minha modesta crónica, surgem pessoas que me mandam ir para a Venezuela mas ainda não houve uma capaz de me pagar o bilhete. Fica o reparo.

Voltando ao tema. Grande parte dos presos nesta operação anti-referendo eram pessoas ligadas ao Ministério das Finanças da Catalunha. Deve ser a primeira vez que alguém ligado a um Ministério das Finanças em Espanha é preso. Normalmente, lá como cá, safam-se sempre. Aliás, se fosse cá, isto acabava a culpar o contabilista do movimento separatista.

Independentemente de a Catalunha ter direito, ou não, a fazer um referendo sobre a independência, Rajoy reagiu à Erdogan. Mandou prender parte do governo autónomo, queimou boletins de voto e arrancou cartazes. Só faltou mandar fuzilar os senhores que fizeram as urnas de voto. Foi à bruta. Acho que até com a ETA houve mais negociações. Depois desta decisão de Rajoy, imagino que, com o apoio do Rei, o referendo está condenado porque Rajoy garantiu a vitória do sim à independência.

Segundo li, os membros do governo da Catalunha foram detidos por "plebiscito separatista". Deve ser tramado para um polícia espanhol dizer: "Não se mexa. Você está preso por plebiscito separatista!" Dá a sensação de que o estão a acusar de violação de siameses.

Acho que Rajoy cometeu um erro. Agora, ou consegue impedir o referendo de dia 1 de Outubro à força ou, se ele se realizar, e a esmagadora maioria dos catalães quiser a independência, terá de usar ainda mais força. Parece o Sta Wars.

Não faço ideia de como vai acabar este braço-de-ferro dos "nuestros hermanos", mas se o governo espanhol tiver de enviar a tropa para a Catalunha, podíamos aproveitar para tomar Olivença. Mesmo depois do assalto a Tancos, acho que que Olivença seria nossa em vinte e quatro horas.»

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21.9.17

Catalunha versus Escócia



Uma comparação interessante que Daniel Oliveira faz hoje no Expresso diário.
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21.09.2012 – O dia em que o aumento da TSU foi enterrado



Para refrescar as memórias: Seis dias depois da manifestação de 15 de Setembro, fomos milhares os que estivemos em frente ao Palácio de Belém, à espera das conclusões de uma reunião do Conselho de Estado.

Durante muitas horas, milhares de pessoas em Lisboa, e muitas outras espalhadas pelo país, deram ao conclave e aos seus membros a importância suficiente para esperarem, de pé, e lançarem gritos de protesto, de apelo e de raiva. Continuaram o que várias centenas de milhares de portugueses tinham começado alguns dias antes.

A reunião do dito Conselho durou oito horas e emitiu um comunicado, inócuo, incolor e inodoro, mas que incluía o único parágrafo que interessava: «O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única». Era de esperar outra coisa? Não, de modo algum. A batalha tinha sido ganha antes disso. Na rua. 
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Uma indignação ausência de indignação



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje, a propósito da diminuição da pensão de reforma de Ricardo Salgado. 

«Como é que se espera que um homem habituado a auferir uma pensão de três mil euros por dia viva agora com 11 mil e 500 euros por mês? Vai ter de fazer contas, certamente, o que equivale a condená-lo à pobreza: é muito provável que um homem que conseguiu levar à falência o maior banco privado e a maior empresa portuguesa não tenha especial jeito para números.» 

Na íntegra AQUI.
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Catalunha: é tudo isto, sem tirar nem pôr




Fernando Rosas, numa intervenção no comício do Bloco em Almada, com uma saudação ao povo da Catalunha e à sua luta pela autodeterminação: «É tempo de decisões para os catalães».

Estado de excepção na Catalunha



«El gran debate de las últimas semanas sobre el referéndum catalán se había centrado en los dos caminos que tenía ante sí el Gobierno para frenar el desafío soberanista, ya fuera el uso del artículo 155 de la Constitución o la aplicación de la Ley de Seguridad Nacional, concretamente su artículo 24, que permite, por decreto, el nombramiento de una “autoridad funcional” a la que se atribuirían competencias para dirigir las actuaciones que considerara oportunas y a la que tendría que someterse la Generalitat. Es decir, se haría con el poder.

Ambas situaciones comportaban algunos inconvenientes. En el caso de la Ley de Seguridad Nacional, el Ejecutivo estaba obligado a definir la duración de la excepcionalidad además de rendir de inmediato cuentas al Congreso sobre las medidas adoptadas y la evolución de la situación. Por lo que respecto al 155, el catedrático de Derecho Constitucional, Javier Pérez Royo, lo explicaba magistralmente en un reciente artículo publicado en eldiario.es: “El Gobierno queda apoderado para hacer todo lo que la propuesta aprobada contiene, pero también limitado por el contenido de dicha propuesta”. Ha de hacer públicos los pasos que pretende dar y circunscribir su actuación a lo acordado. En definitiva, queda encerrado en su propio perímetro de actuación.

Ese es el motivo por el que Rajoy ha esquivado ambas vías haciendo de su capa un sayo, para lo que sólo precisa de los servicios de la fiscalía que tiene a sus órdenes y de la predisposición de al menos un juzgado que revista de legalidad cada uno de sus actos. Con esos dos únicos mimbres se está fabricando el cesto, que no es otro que la suspensión de tapadillo y por la vía de los hechos de la autonomía catalana.

En realidad, las medidas que se están aplicando en Catalunya se parecen mucho a las que establece la declaración del estado de excepción, con la ventaja de que no precisa la autorización del Congreso de los Diputados ni la mención expresa de los derechos cuya suspensión se solicita, enumerados en el artículo 55 de la Constitución. Entre ellos figuran algunos que ya se han puesto en almoneda, como el derecho a la libertad y a la seguridad, el secreto de las comunicaciones, la libertad de expresión y el derecho a la información y el de reunión pacífica sin autorización judicial. La coartada es la prevención de un supuesto e inexistente delito de apología del referéndum.

Una cosa es que la resolución del Tribunal Constitucional aperciba a alcaldes y altos cargos sobre sus responsabilidades por participar en la organización del referéndum y otra muy distinta es que ampare imputaciones masivas, dé cobertura a la intervención de la caja de la Generalitat y a la congelación de sus cuentas, permita la incautación de correspondencia dirigida a los ciudadanos y autorice la suspensión de reuniones pacíficas sobre la consulta.

El siguiente paso en la escalada ha sido la detención de 14 altos cargos de la Generalitat, entre ellos la mano derecha de Oriol Junqueras, a los que se acusa de ser los organizadores de la consulta. Los hechos están dando la razón a quienes sostienen que lo que está en juego no es la independencia de un territorio sino el Estado de Derecho, al que se burla con atajos. El uso torticero de la ley es una ilegalidad tan manifiesta como la que se pretende combatir.»

Juan Carlos Escudier

20.9.17

Catalunha: encerrados sites da web



Ainda faltam 10 dias para o referendo. Não é fácil imaginar como vão ainda aumentar as tensões entre Madrid e a Catalunha.

Dica (632)




«The year 2016 was a year of populist revolts. In June the UK decided to leave the European Union and a few months later in November Donald Trump was elected US President against all the odds. Since then there has been widespread confusion amongst political observers. How could this happen?

In this spotlight video, Social Europe Editor-in-Chief Henning Meyer discusses the roots of populism with Peter Hall, Krupp Foundation Professor of European Studies in the Department of Government and at the Minda de Gunzburg Center for European Studies of Harvard University.

Why have so many people fallen for populists and what can mainstream parties do to counter the threat populist parties pose to the democratic substance of Western societies? This conversation provides answers.»
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Rajoy quer mesmo a independência da Catalunha



Está a fazer tudo para que isso aconteça. É só uma questão de tempo.

La Policía entra en la sede de la CUP.
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A TAP perdeu o brio



É bom que se saiba em que estado se encontra o serviço da TAP, a vários níveis, como eu própria experimentei há poucos dias: a caminho de se tornar uma low cost com high costs. Este texto resume-o bem.

«A TAP, na sua nova fase pós-privatização, já não é o que era. Perdeu o brio e, com isso, deixou que a imagem do nosso país ficasse a perder. Aquela companhia de que todos nos orgulhávamos, que tendenciosamente dizíamos ser uma das melhores do mundo, que era um símbolo para as comunidades portuguesas, está irreconhecível.

O pior é que, hoje, já não conseguimos perceber o que é a Transportadora Aérea Nacional, que leva estampada as cores da bandeira. Transformou-se numa espécie de marca branca da aviação comercial, numa low cost com preços absurdos. Esta já não é a minha TAP, por mais que isso me custe a admitir. Até à privatização, fazia mais de 90% das minhas viagens com a companhia nacional. Atualmente, os preços subiram tanto que se fizer 30% já é muito.

O pior é que, tendo aumentado os preços, o serviço não melhorou e a imagem também não. Bem pelo contrário, principalmente porque nivelou por baixo, mesmo que a companhia esteja sempre a publicitar que ganhou este ou aquele prémio. Ou seja, a TAP adotou nesta sua nova fase o pior das companhias low cost, como a limitação de malas, bagagens debaixo do assento a causar desconforto, refeições de má qualidade, falta de espaço para arrumos, assédio constante para fazer o upgrade do bilhete pagando mais.

A juntar a este downgrade, há uma prática muito constrangedora, que é a criação das várias classes de passageiros. As low cost só têm uma classe de passageiros. As companhias de bandeira têm a classe executiva e a económica, e a TAP, além da executiva, tem pelo menos quatro categorias em económica. Quanto mais rígidas forem as condições da tarifa, mais baixos os preços, pelo menos na teoria. E, assim, temos os passageiros de primeira classe, de segunda, de terceira e de quarta classe, que são os que vão no fim do avião, mais apertados e sem regalias, a fazer lembrar os tempos em que os emigrantes eram enfiados na última das classes de passageiros quando faziam as viagens transatlânticas de barco para o Brasil. (…)

Acresce outro aspeto algo surreal, que é a possibilidade de, em qualquer voo, a tripulação poder decidir se fornece ou não as refeições se não houver membros suficientes, seja em económica ou executiva, situação igualmente inacreditável que não abona nada a favor da imagem e qualidade do serviço prestado.

É nisto que dão as privatizações. Piora o serviço e aumenta a indiferença perante a bandeira que representam. Pede-se à TAP que cuide, como é sua obrigação, da imagem do país e, sobretudo, que aplique o bom senso nas suas políticas comerciais para podermos ter de volta aquela TAP de que todos nos orgulhávamos.»

19.9.17

Cristas versão chinesa



Anda assim em campanha, mas esqueceu-se de levar o «Livro Vermelho» de Mao. 
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19.09.1975 – Na posse do último Governo Provisório




No dia 19 de Setembro de 1975, tomou posse o VI (e último) Governo Provisório. Chefiado por Pinheiro de Azevedo, durou até 23 de Julho de 1976, data em que entrou em funções o I Governo Constitucional.

Na imagem, um excerto do discurso do primeiro-ministro, no acto da tomada de posse do novo governo (*). Delicioso – no mínimo. Comentários para quê...

(*) Na íntegra, aqui.
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Dica (631)



The Euro’s Narrow Path (Barry Eichengreen) 
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Entretanto na Birmânia




Aung San Suu Kyi falou ontem sobre o drama dos rohingyas, como tinha anunciado. Quem quiser que lhe atire a primeira pedra, o que não é o meu caso: muito provavelmente está a fazer o que pode neste momento, num país a léguas de ser espelho das «nossas» democracias e onde ganhar eleições não significa varrer do poder real os sinistros militares, nem alterar a mentalidade de um povo massacrado durante uma eternidade. 
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Os geringonçólogos



«No tempo da União Soviética, que deus tenha, havia uma trupe de analistas encartados que se reconheciam como “sovietólogos”. Competia-lhes a tarefa árdua de olharem à lupa para as fotos, que a televisão era pouca, e de colecionarem boatos para poderem chegar à conclusão de que o secretário-geral estava com azia, se fosse o caso, ou outra infâmia qualquer. Da influência de casos desse tipo nos misteriosos destinos do planeta reza a história.

Suponho que, perante o inesperado, é assim que reagem as sociedades perfeitas e os seus mestres de cerimónias. Querem saber e, se não sabem, querem adivinhar. Se for coisa de Ficheiros Secretos, se for eco da Cidade Proibida de Pequim, se for boato da mansão de Futungo de Belas em Luanda, até se for de tumulto no parlamento de Brasília, é esta classe de analistas que é chamada ao palácio para traduzir os sinais, os hieróglifos e as entoações. Sinal dos tempos, agora dedicam-se a Trump e a outras surpresas, e não lhes faltará assunto.

Mas se o desconhecido se instala entre nós, como um vírus, e não à distância de um telejornal, então o cordão sanitário é um desespero: os que mandam têm que compreender ou pelo menos classificar, os de baixo devem ser alertados e prevenidos. É o caso da ameaça da “geringonça”, que não é só uma mazela, é mesmo uma ameaça à moral e aos bons costumes.

Calhou-nos portanto a sorte de ter que viver com esta casta especial, especializadíssima, que é a dos peritos em decifrar o tom de voz, a catadura, a posição da mão, o andar, a cor da roupa, a gravata e até, em desespero de causa, a palavra desta gente que arrombou a porta do palácio. São os geringonçólogos.

Habituados ao debate político, os geringonçólogos no entanto abominam a troca de razões; desgostosos dos silêncios oficiais, no entanto aborrecem a discussão pública sobre dossiers e questões; irritados com negociações de gabinete, no entanto indignam-se com a transparência, a que preferem a fuga de informação.

Sendo profissão de sucesso, a carreira de “geringonçólogo” atrai variadas espécies: tudólogos, mas também jornalistas-comentadores, incluindo ideólogos e, além deles, os engraçados, que são os meus preferidos, se tiver voto na matéria. Em todo o caso, a sentença é pesada: os partidos da esquerda vêm de um “resultado pífio” (isto é editorial), “não se levam a sério”, atravessa-se-lhes uma “alegria tonta” (isto também é editorial) ou elaboram “fantasias” avulsas (este é de ontem). Como não compreender que não sejam ouvidos, “ou melhor, ouvimos, mas não lhes damos valor”?

Como não compreender que mulheres que dirigem uma destas esquerdas sejam umas “alucinadas” ou até umas “patas”, em todo o caso perigos públicos, “mais daeshistas do que o Daesh”. O mais moderado destes escritores manifesta a sua tristeza pelas “propostas nalguns casos delirantes” desta gentalha.

Miguel Pinheiro, o director do Observador, cujas posições já tinham brilhado em algum canal de televisão e se não me engano na Sábado, tudo pilares do jornalismo mais isento, resolveu escrever que essas geringoncistas “gritam muito, e berram muito, e protestam muito, para que, no meio do ruído, ninguém perceba isso”. Outro director enfuna as velas e intima: “O que pensam Mariana Mortágua, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa da vergonha que vem nas viagens pagas para se obter um contrato do Estado? Não pensam nada porque foram os agora seus (nessa oitava maravilha do mundo que se denomina geringonça) que apanharam o avião, comeram e dormiram de borla e agora, apanhados, põem o futuro à disposição. Mariana, Catarina e Jerónimo não têm vergonha”. Azar dos Távoras, Pedro Mota Soares foi forçado a esclarecer, compungido, como tinha autorizado viagens, já para não detalhar a viagem do primeiro-ministro Cavaco Silva sob hospitalidade da Nestlé – e há pelo menos um partido de que não se encontra nenhum nome em viagens deste jaez.

O meu argumento é que nada disso importa. O fluxo de insinuações e de intimações já não é jornalismo, é a canibalização do espaço público para ajustes de contas, para ensaios de carreiras, para praxes ideológicas e para luta de interesses. Mas há uma ideia, e ela resume todo o sucesso da geringonça e da sua relação de forças com a direita e entre si: os geringoncistas já só têm uma agenda, que o PS tenha maioria absoluta. Tudo se resume agora ao apelo da alma, oh céus, venha pelo menos o poder total de António Costa para que se encoraje a afastar a geringonça, de qualquer modo com Passos e Cristas já se perdeu a esperança, resta Cavaco mas quem lhe liga, mais vale perdidos por cem do que perdidos por mil.»

18.9.17

Dica (630)




«Si democracia es el gobierno del pueblo (demos), plutocracia es el de los más ricos (ploutos). Esta sencilla aclaración etimológica permite decir hoy con toda justicia, a la vista de los hechos de los últimos años, que esta Unión Europea está descaradamente al servicio de la minoría que detenta el poder económico en Europa. Una sociedad gobernada o controlada por la minoría de los miembros más ricos que apenas son unos cinco millones de personas. Contra más de 500 millones.» 
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Problemas de ricos




Houve muitas sanitas entupidas em Portugal, com papeis suspeitos, quando se temia que a PIDE tocasse à campainha ao amanhecer. Mas com notas de 500 euros, só mesmo na Suíça! 
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Ei-las, as sondagens sobre Lisboa



E salta a primeira, da Universidade Católica:

J. Medina 41% (pode perder a maioria absoluta – 7 a 9 vereadores)
A. Cristas 17% (3 a 4 v.)
T. L. Coelho 16% (3 a 4 v)
J. Ferreira 8% (1 a 2 v.)
R. Robles 8% (1 a 2 v.)

Seriam excelentes resultados, na minha opinião: não existência de maioria absoluta, Medina a precisar da esquerda. Mas a procissão ainda vai no adro e anuncia-se uma nova sondagem (talvez para hoje), com valores diferentes.

(Daqui)

O miasma andré ventura



«O candidato do PSD para Loures aproveita tudo, até insultos, para propaganda. Mas será de recusar dizer-lhe o nome só porque ele sofre de andré ventura? A Organização Mundial da Saúde tem-se confrontado com o problema das doenças e o nome delas, porque este pode induzir em erro. Por exemplo, um vírus ficou conhecido como gripe suína mesmo não sendo disseminado por porcos. Ora, o candidato do PSD para Loures é notoriamente um andré ventura, até o anuncia nos cartazes. Como a OMS aconselha que as doenças sejam nomeadas em termos descritivos, "miasma andré ventura", no caso estudado, parece-me adequado. Já chamar André Ventura a André Ventura, talvez seja generalizador e até racista -- pode haver pedaços dele que não estejam contaminados de andré ventura. Mas o mais importante é conhecer os truques do vírus. Há dias, no debate da TVI, ele disse: "Sim, Judite de Sousa, tenho medo." Ora, a jornalista não lhe tinha perguntado por medo. O miasma disse-o a despropósito, porque tem fisgado inocular o medo, não como nas vacinas, em doses ínfimas para combater a doença, mas em doses cavalares para a difundir. Depois, interrompeu uma adversária e, quando ela protestou, disse: "Não me interrompa." Sem vergonha nenhuma, convencido de ser tempo que chegue cá a desfaçatez em debates políticos do "chefe do Ocidente", como ele chamou dias depois a um outro miasma, esse, grande e americano. Todos os pequenitos agentes infecciosos sonham pertencer a uma pandemia.»

Ferreira Fernandes

17.9.17

Dica (629)




«Os 200 milhões que o Governo tem avançado não permitem cumprir estes objetivos. Só o desdobramento do segundo e terceiro escalões em outros dois adicionais custaria cerca de 440 milhões, corrigido o efeito nos escalões mais elevados.(…) Se for necessário compensar financeiramente esta escolha, há alternativas. Nomeadamente o aumento da derrama de IRC sobre as empresas com mais lucro.» 
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